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Rins e dentes: uma relação mais próxima do que se imagina

Você sabia que a saúde oral do seu pet pode impactar diretamente os rins? Pode parecer surpreendente, mas problemas como o acúmulo de tártaro e a inflamação das gengivas vão muito além do mau hálito. 

Quando não tratados, eles podem liberar bactérias na corrente sanguínea e afetar o organismo como um todo, principalmente se o pet já tiver alguma predisposição.

Neste post, vamos explicar como a doença periodontal começa, por que ela representa um risco para a saúde renal e o que você pode fazer para evitar esse tipo de complicação

Para isso, contamos com a contribuição das doutoras Juliana Kowalesky e Jakeline Zanon, médicas veterinárias do Pet Care. Acompanhe!

O que é a doença periodontal e como ela começa?

A doença periodontal é uma inflamação que atinge os tecidos de sustentação dos dentes — e é mais comum do que se imagina. Tudo começa com o acúmulo de placa bacteriana na linha da gengiva, que pode evoluir para gengivite.

Segundo a Dra. Juliana, “o estágio inicial da doença é caracterizado por uma gengivite secundária ao acúmulo de placa bacteriana, causando inflamação”

É nesse momento que os primeiros sinais aparecem, como gengiva inchada ou sangramento leve — e é também quando o cuidado pode fazer toda a diferença.

Se não for tratada, a gengivite pode evoluir para periodontite, um estágio mais avançado da doença. 

“A periodontite é um agravamento da doença periodontal, podendo prejudicar os ligamentos e o osso que sustenta o dente”, explica a especialista. 

Isso significa que a estrutura que mantém o dente firme começa a ser comprometida, trazendo dor e maiores riscos de infecções.

No último estágio, chamado de periodontite avançada, a situação se agrava ainda mais. 

Nessa fase, já ocorreu uma destruição óssea e também das estruturas responsáveis pela sustentação do dente“. Dra. Juliana Kowalesky, médica veterinária especializada em odontologia do Pet Care.

Isso pode levar à queda dos dentes e, mais do que isso, à disseminação de bactérias para outras partes do corpo — como os rins.

Afinal, qual é a relação entre rins e dentes? 

Pode parecer que boca e rins estão bem distantes um do outro, mas, quando falamos em saúde, tudo está conectado. 

Quando a doença periodontal avança, as bactérias acumuladas nos dentes e nas gengivas podem encontrar caminhos para além da cavidade oral.

Problemas dentários, como tártaro, gengivite e periodontite, podem liberar bactérias e substâncias que pioram a inflamação na corrente sanguínea.” Dra. Jakeline Zanon, médica veterinária especializada em nefrologia.

Esse processo inflamatório, silencioso e contínuo, é justamente o que pode comprometer os rins — principalmente os glomérulos, que são as estruturas responsáveis pela filtração do sangue.

E mais: pets que já convivem com doença renal crônica precisam de atenção redobrada. A Dra. Jakeline reforça que “eles têm maior risco de infecção e inflamação. Por isso, higiene rigorosa e consultas regulares com o médico veterinário odontólogo são essenciais para manter a saúde dos rins”

Ou seja, o cuidado com a saúde oral é decisivo para manter a função dos rins estável e preservar a qualidade de vida do seu pet. 

A doença renal, principalmente em casos mais avançados, pode causar mal-estar, falta de apetite, perda de peso e vômitos. Por isso o diagnóstico precoce e a prevenção são muito importantes.” Dra. Jakeline Zanon, médica veterinária especializada em nefrologia.

Agora que você já entendeu a relação entre rins e dentes, vamos falar sobre o que fazer na prática para evitar que a saúde oral coloque em risco o funcionamento renal do seu melhor amigo.

Como evitar que a saúde oral prejudique os rins?

Aqui, uma boa notícia: com alguns cuidados simples no dia a dia, é possível reduzir bastante o risco de que problemas na boca afetem outros órgãos do seu pet.

A primeira dica você já deve conhecer: escovação. A Dra. Juliana reforça que “o ideal é manter a escovação dentária diária, para não ocorrer acúmulo de placas bacterianas e inflamações secundárias”.

Mas a gente sabe que, na prática, esse cuidado nem sempre é fácil. Muitos tutores enfrentam resistência logo que pegam a escova: é super comum que o pet se afaste, vire o rosto ou até tente fugir. 

Se esse é o seu caso, não se preocupe: existe uma forma gentil de tornar a escovação mais tranquila. 

Estamos falando da dessensibilização, uma técnica baseada em aproximações leves e respeitosas, que ajuda o pet a se acostumar aos poucos com esse momento.

Além da escovação:

  • ofereça petiscos e brinquedos saudáveis: eles ajudam a manter os dentes limpos entre uma escovação e outra;
  • fique atento a sinais como mau hálito, sangramentos ou dor ao mastigar: esses sintomas podem indicar inflamação;
  • agende check-ups periódicos com o médico veterinário: o acompanhamento ajuda a identificar precocemente qualquer alteração que possa impactar a saúde;
  • siga as orientações do médico veterinário, especialmente em pets com doença renal: nesses casos, a higiene oral deve ser ainda mais rigorosa.

Se perceber qualquer alteração, como dor, sangramento ou hálito mais forte que o normal, é fundamental buscar ajuda o quanto antes. 

Cuidar da saúde oral é cuidar de todo o corpo — inclusive da função renal. E isso começa com uma atitude simples: a avaliação oral.

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